domingo, 27 de fevereiro de 2011

Sofreram mas ganharam!

O Benfica venceu o Marítimo por 2-1, num jogo impróprio para cardíacos, que revelou, mais uma vez, o grande poderio dos “encarnados”. Contra tudo e contra todos, os jogadores de Jorge Jesus demonstravam uma enorme vontade e conquistaram os três pontos de uma forma mais do que justa.

Os campeões nacionais apresentaram um onze sem grandes surpresas, com Jardel a surgir no lugar de Sidnei (castigado) e com Javi García a voltar a ocupar a posição de médio defensivo, depois de ter ficado de fora do jogo europeu frente ao Estugarda.

O encontro começou com um ritmo elevado e com os pupilos de Jorge Jesus a assumirem as despesas do jogo, com várias oportunidades de golo nos primeiros 20 minutos. O primeiro lance de perigo surgiu logo aos dois minutos, com Saviola a tentar surpreender Marcelo, que colocou de forma defeituosa a bola em jogo. O gesto técnico acabou por sair por cima.

Aos seis minutos, o argentino voltou a ter uma boa ocasião, com Salvio a trabalhar bem na direita, a centrar para o centro da área para Cardozo, que assistiu Saviola na perfeição, mas que só não teve sucesso devido a um corte “in extremis” de um defensor insular. Na sequência do pontapé de canto, Óscar Cardozo apareceu solto ao segundo poste e viu o seu cabeceamento ser desviado por um adversário.

O Marítimo esteve recolhido à defesa nos minutos iniciais e só conseguiu chegar à baliza de Roberto aos dez minutos, com o avançado, Baba, a rematar rasteiro à figura do espanhol. A pressão do Benfica era grande, mas a estratégia montada por Pedro Martins obrigava os “encarnados” a terem bastante atenção às saídas rápidas dos visitantes.

Os cantos continuavam a causar o pânico na área do Marítimo e aos 21 minutos, Luisão saltou mais alto que toda a defesa e rematou de cabeça com muita violência, para defesa por instinto de Marcelo. Volvidos dez minutos, houve um lance duvidoso na grande área dos insulares. Maxi trabalhou bem na direita e quando centrou a meia altura, Roberge cortou a bola com o braço. O árbitro Vasco Santos não descortinou nenhuma irregularidade.

A última ocasião de golo do primeiro tempo voltou a pertencer à equipa campeã nacional. Fábio Coentrão apostou na velocidade, “puxou” dois defesas e assistiu na perfeição Gaitán de calcanhar, que entrou na área e rematou com o pé direito, levando a bola a embater, caprichosamente, no poste da baliza defendida por Marcelo.

No recolher aos balneários, o nulo podia ser considerado injusto, tais foram as oportunidades criadas pelo Benfica. A estratégia do Marítimo era clara e ia obrigar os “encarnados” a pressionarem bastante na etapa complementar, de forma a conquistarem os desejados três pontos.

Entrada fulgurante

 
O Benfica entrou com tudo no segundo tempo, com Aimar a bater um livre na zona frontal, para defesa apertada de Marcelo. A pressão ia aumentando e o Marítimo ia descendo cada vez mais as suas linhas, colocando, definitivamente, o autocarro no relvado do Estádio da Luz. No espaço de dois minutos, os cerca de 55 mil espectadores não viram as redes da baliza do Marítimo abanar, por mera infelicidade de Salvio e Cardozo. Primeiro com Gaitán a centrar para o segundo poste, onde se encontrava Salvio, que rematou para defesa de alto nível de Marcelo e de seguida, na ressaca do lance, com Cardozo a atirar à barra.

Aos 57 minutos, Vasco Santos amarelou Aimar, por suposta simulação, e de seguida, perdoou o segundo cartão a Rafael Miranda que rasteirou Salvio. Critérios estranhos, por parte da equipa de arbitragem nomeada para esta 21.ª jornada da Liga portuguesa.

Quando jogam contra o Benfica, já são normais as grandes exibições dos guarda-redes e Marcelo não fugiu à regra. Com o relógio a indicar os 64 minutos, Cardozo bateu um livre descaído para o lado direito e, mais uma vez, Marcelo demonstrou bons reflexos, ao efectuar uma defesa difícil para a linha de fundo.

O sector ofensivo não desistiu e continuou a produzir bons lances de futebol. Aos 74 minutos, na sequência de um lançamento lateral longo de Maxi Pereira, Saviola desmarcou-se no segundo poste e atirou forte, com o esférico a embater nas malhas laterais da baliza do Marítimo. Poucos minutos depois deste remate e contra todas as expectativas, o Marítimo chegou ao golo. Canto do lado direito e Djalma a cabecear com êxito, para um golo totalmente injusto.

Os campeões nacionais nunca desistiram e chegaram ao empate a dez minutos do apito final. Fábio Coentrão arrancou na esquerda e centrou rasteiro para o segundo poste, com Salvio a finalizar de um ângulo apertado. A vitória era possível! O massacre “encarnado” instalou-se e Kardec (que entrou para o lugar de Gaitán) cabeceou com selo de golo, mas Marcelo, outra vez, efectuou uma defesa completamente impossível, com a bola a bater ainda na barra. A injustiça pairava no ar...

O árbitro Vasco Santos voltou a estar em destaque em cima do minuto noventa, ao anular um golo a Luisão, por suposta falta de Cardozo sobre Marcelo. Acreditava-se que a justiça ia aparecer. Em cima do minuto 94 e depois de muita insistência, Fábio Coentrão recebeu a bola na área e num grito de revolta, chutou com o seu pé direito para um golo que levou o Estádio da Luz ao rubro.

Mais importante que este golo há que realçar a atitude de todo o grupo, que juntamente com os 55 mil adeptos do Benfica nunca deixaram de acreditar na justiça do futebol. Este triunfo nasce do querer e da vontade do Sport Lisboa e Benfica. Na próxima jornada segue-se a visita ao reduto do Sporting de Braga.

O treinador do Benfica, Jorge Jesus, elegeu o seguinte onze: Roberto, Maxi Pereira, Luisão, Jardel, Fábio Coentrão, Javi García (Carlos Martins 85’), Gaitán (Kardec 72’), Salvio, Aimar (Franco Jara 68’), Saviola e Cardozo.

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